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O 1º seminário | preservação comum | património digital

 

É facto facilmente observável a dependência das TIC em praticamente toda a esfera de ação humana. Uma significativa percentagem do que se produz, seja no domínio administrativo, científico ou artístico é mediado tecnologicamente. A fotografia ou o filme são exemplos claros e muito popularizados desta realidade.

Neste contexto, praticamente toda atividade humana implica a utilização e mediação tecnológicas em menor ou maior grau. A expressão utilizada exaustivamente de “desmaterialização” comporta em si de forma quase inconsciente e reflexa a noção que qualquer mudança a realizar em processos de trabalho implica inevitavelmente a utilização da TIC.

Por este motivo muitos dos objetos que poderão ser considerados como património partilham da particularidade de serem virtuais na medida em que dependem da existência de um sistema intermediário que permita acede-los e utilizá-los. Este sistema é constituído por software e hardware ambos  sujeitos a rápida obsolescência. Do ponto de vista de longevidade, qualidade que normalmente se pretende que as entidades patrimoniais beneficiem, a dependência de um sistema intermediário volátil e descontinuável, tem um impacto dramático.

Sem ações especializadas de preservação tudo pode ser mantido mas nada será acessível e consequentemente utilizável devido à obsolescência do sistema intermediário bem como a ausência de ferramentas para o substituir.

A preservação do património digital implica um conjunto de ações concertadas que envolva produtores, detentores e utilizadores da informação, assegurando tarefas diversas e complementares dentro de uma estratégia que apenas pode ter sucesso se for devidamente articulada. Os recursos exigidos para preservar o objeto digital são elevados e exigentes tanto sob o ponto de vista material como de conhecimento especializado. Este fator é tanto mais agravado quanto se verifica falta de recursos no contexto da atual crise económica.

Mas mesmo que nos permitíssemos ignorar esta realidade, poderíamos facilmente encontrar vantagens na criação de estruturas de cooperação que envolvam um conjunto plural de atores e que contribuam num esforço mútuo para assegurar a preservação do património.

A preservação do património digital coloca portanto diversos problemas e dilemas sobre os quais é importante iniciar uma reflexão sistemática.

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